Olha que coisa boa! Temos novidades no Cinemagem: Esse texto é um oferecimento do Indico Filmes e Séries e é especial para aquelas pessoas que adoram dedicar um pouquinho do seu tempo para o entretenimento, mas querem ter certeza de que não vão cair em uma cilada e assistir o filme ou a série errado para o seu perfil.

A gente sabe que gosto é algo muito pessoal e merece ser respeitado, então não seria legal contar com alguma ajudinha de quem entende do assunto na hora de escolher o que ver? Pois então, a partir de hoje, você vai encontrar aqui toda semana uma indicação amiga, que além de trazer breves informações sobre a produção, te dá os principais motivos pra quebrar com a famosa dúvida do “será que vale a pena ver?”. Com as dicas da Rafa Gomes não tem erro!


Kurt Cobain é um dos músicos mais emblemáticos da indústria fonográfica. Precursor do movimento Grunge, ao lado de bandas como Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains e Stone Temple Pilots, o cantor foi o líder do Nirvana, com uma trajetória meteórica, porém trágica.

Por seu papel influenciador até os dias de hoje, a história de vida e morte do Kurt sempre esteve envolvida em teorias e inúmeras análises psicológicas, que buscam compreender a instabilidade emocional do cantor diante dos fãs e da existência em si.

A dica dessa semana vai te levar a lugares que ninguém havia ousado percorrer. O documentário definitivo de Kurt Cobain desmistifica o frontman do Nirvana, à medida que nos ajuda a compreender e dimensionar a durezas que englobam a depressão e outras doenças da alma.

Com material exclusivo, contendo entrevistas de Dave Grohl, Krist Novoselic e Courtney Love, essa produção vai deixar você mais impressionado-confuso-chocado que Winona Ryder no SAG Awards! Socorro boraa!

Título: Cobain: Montage of Heck
Ano: 2015
Elenco: Courtney Love, Dave Grohl, Krist Novoselic
Direção: Brett Morgen


Sinopse relâmpago: Focado na vida do lendário vocalista da banda Nirvana por meio de materiais inéditos como canções, filmes caseiros, obras de arte, fotografias, revistas e songbooks, “Cobain: Montage of a Heck” é o primeiro documentário plenamente autorizado sobre o músico.


DISPONÍVEL NA NETLIX

Vale a pena por que: Pobre menino pobre, desajeitado, desajustado, incompleto, incompreendido. Desleixado, preguiçoso, sem foco. Sem lar, sem família, sem nada. Quantas histórias já ouvimos com esse mesmo DNA ‘impuro’, mal visto e mal quisto, não é? Mas essa história não é uma dessas. Esta aqui atinge as profundezas da alma, dilacera o peito aberto, já ensanguentando por tamanha honestidade. Essa história até começa assim, mas termina diferente. Talvez pior, talvez mais sofrida, mais solitária, mais despedaçada. Mas não se trata do começo e do fim. Na história contada no mais recente documentário “Kurt Cobain: Montagem of Heck”, o ‘entre’ é o que importa. Não se trata de mais uma clássica história do rock, se trata da história definitiva sobre o maior ícone da sua geração. Um rei sem coroa, um rei sem querer.

Admitir que não há mais para onde ir em se tratando da complexidade de Kurt Cobain não seria exagero. De fato, não há. O documentarista indicado ao Oscar Brett Morgen mergulhou em águas tão profundas que cruzar qualquer outra fronteira seria impossível e por que não, desnecessário. Este é o documentário mais impactante sobre um artista. É até difícil mensurar sua simbologia com tamanha precisão, por trás da complexidade de Kurt Cobain trazida com tanta veracidade e voracidade para as telas. A brutalidade encanta, dói, incomoda, sangra. Mas o músico era assim. E afinal, qual seria a outra forma de contar isso?

“Montage of Heck” reúne a compilação mais completa e pura de um artista que até hoje gera fascínio por seu brilhantismo musical e psique delicadamente complexa e gritante. Absorto por tudo aquilo que seus fãs, apaixonados por música e curiosos sempre especularam a respeito do seu perfil, sua sensibilidade e genialidade incomum, Morgen foi à nascente mais pura sobre a história de Kurt Cobain, se privando de influências midiáticas e do que se espera de um ícone. Ele foi direto naqueles onde a verdade reside: a família.

O documentário nos leva para o cerne de Kurt, para a complexidade da sua fragilidade, para seu perfeccionismo artístico escondido por trás do grunge, que sempre fora sinônimo de despretensão. É como se colocássemos óculos que nos permitem enxergar o mundo pela perspectiva do dono do objeto. Ao ficarmos diante da tela, passamos a ver as coisas pela ótica dilacerada de Kurt Cobain. Folheamos seus inúmeros diários, percebemos seu romantismo inveterado, vemos de perto seu processo criativo como frontman do Nirvana, a cobrança de si mesmo e do mundo, sua arte, sua dor na arte e sua luta para tentar pertencer mesmo quando já é parte de algo.

Em “Montage of Heck” a animação se mescla com gravações antigas do músico, com filmagens Super 8, fotos raríssimas e desenhos feitos por ele desde muito jovem. O material, todo cedido pela própria família, nos permite conhecer intimamente aquele cara que acompanhamos no rádio e na MTV durante boa parte dos anos 90, que criou canções incomparáveis como “Smells Like Teen Spirit”, “Come As You Are” e “All Apologies” e fez seu último grande espetáculo com o MTV Unplugged in New York, talvez um dos discos acústicos mais bem executados pela emissora.

A estética do longa é tão intimista e particular que em certos momentos nos sentimos desconfortáveis na poltrona, com a leve e terrível sensação de que a história é sobre nós. Cru como Frances Bean Cobain (filha do artista com Courtney Love e produtora do filme) afirmou que gostaria que fosse, o documentário reverbera momentos em que seus pais se encontram completamente absorvidos pelas drogas, tal como pelo nascimento da pequena de olhos azuis brilhantes e cabelos loiros. E essa intensidade inconstante do filme é um dos aspectos mais hipnotizantes sobre contar a história de Kurt.

Somos levados por momentos delicados e sublimes de sua infância, seu fascínio musical e paternal e de repente derrubados por uma avalanche sufocante de sofrimento, dor e explosão de sentimentos trágicos e pesados. E a trilha acompanha essa montanha-russa, reedita canções do Nirvana brilhantemente e de quebra nos leva de volta à saudosa e saborosa fase da música mundial onde artistas criavam canções por amor à música, pura e simplesmente. Não se tratava do sucesso pelo sucesso, como a banalização da cultura de celebridades tem gerado nos novos artistas. O documentário nos lembra da motivação original e autêntica do ramo musical das décadas anteriores, que aos poucos tem se perdido na música contemporânea (salvo as exceções, claro).

É difícil mensurar o valor que “Kurt Cobain: Montage of Heck” terá para a história da música em alguns anos, mas é fácil garantir que sua marca se torna permanente tanto na indústria cinematográfica como fonográfica. Kurt temia que a mídia buscasse nele a clássica história do rock, onde “jovem músico abrevia sua vida antes dos 30 de forma tão brutal”. Mas trata-lo meramente como clássico seria desperdiçar seu potencial artístico que até hoje ecoa pelos corredores dos principais estúdios de gravação. Kurt não está mais entre nós há 23 anos, mas sua genialidade e complexidade nos acompanham até hoje e acabam de ser perpetuadas neste que, certamente, é um dos documentários mais poderosos já feitos.


Curiosidades: O documentário foi exibido pela primeira vez no Sundance Film Festival 2015 e Brett Morgen trabalhou por sete anos em sua produção.

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