Sou aquele tipo de cara que se empolga fácil. Gosto de entrar no hype das pessoas, de chorar no cinema, de agarrar a cadeira nas cenas mais explosivas. Sabendo disso, imagine como eu estava quando entrei na sala de cinema para assistir Inferno, novo filme adaptado do livro homônimo de Dan Brown.

Inferno é o meu livro favorito do autor. Já deixo isso bem claro desde o início. Devorei a obra e isso se deu por vários motivos. O principal deles é o tema, que certamente é o mais atual de todos os protagonizados pelo simbologista Langdon. O foco não é mais a religião e sim a superpopulação, um problema real e, aparentemente, sem solução pacífica nos dias de hoje.

Então lá estava eu, assistindo o filme. E ele começou bem, com ótimas cenas, principalmente as que mostravam as visões do professor Robert Langdon (Tom Hanks). Eu estava cada vez mais feliz. Mas o tempo foi passando, as coisas foram mudando e minha empolgação foi reduzida a decepção, pura a simplesmente.

Mas… Por que? Bom, vamos começar com a sinopse do filme:

Robert Langdon acorda num quarto de hospital em Florença, sem memória do que aconteceu nos últimos dias. Mas com a ajuda da Dr. Sienna Brooks e do seu conhecimento em simbologia, fará de tudo para recuperar suas memórias perdidas, enquanto resolve o maior enigma que já presenciou, tramado por Bertrand Zobrist, um milionário obcecado por pela obra de Dante Alighieri, o criador da Divina Comédia Humana.

Dez anos separam o lançamento do filme O Código Da Vinci, o primeiro com Robert Langdon, de Inferno, sua última aventura, lançada no dia 13 de outubro de 2016. E verdade seja dita, Inferno não é um filme ruim. Tem a qualidade técnica que se espera de uma obra desse tamanho, um roteiro interessante, boas atuações e personagens interessantes. Mas o problema é que é só isso. Não há nenhuma profundidade maior. Muito pelo contrário. Quando tentam dar profundidade, no momento dos desfechos e das explicações (e a maioria delas são completamente diferentes das vistas no livro), o longa acaba ficando confuso.

Personagens rasos e relações completamente sem sentido.
Personagens rasos e relações completamente sem sentido.

Dan Brown não é um escritor ruim, mas não podemos negar que ele não é um gênio quando o assunto é criar personagens profundos. Em todos os livros da série, o único personagem com que nos importamos de verdade é Langdon. O problema persiste nas adaptações para o cinema, mas neste último, em especial, tudo fica ainda mais gritante.

Sienna Brooks, a médica vivida por Felicity Jones, não passa de uma mulher genérica, exatamente igual as “ajudantes” de Langdon de O Código Da Vinci e Anjos e Demônios. Isso é muito decepcionante, ainda mais considerando que ela é uma das peças chave da trama. O único personagem que ganhou uma profundidade um pouco maior foi o vilão Bertrand Zobrist (Ben Foster), numa cena onde somos praticamente obrigados a sentir empatia por ele.

Robert Langdon dando sua aula particular a Sienna Brooks
Robert Langdon dando sua aula particular a Sienna Brooks

10Isso para, logo em seguida, sermos convencidos que ele é só um louco mesmo e nada mais, coisa que não acontece no livro. Enquanto lia, para se ter uma ideia, confesso que me compadecia muito mais com a sua causa do que com a de Langdon. Talvez, até hoje.

Ron Howard é um diretor experiente, que sabe o que faz. Mas o que vemos em Inferno é uma tentativa fracassada de adaptar uma obra grandiosa (ainda que não seja genial) para um formato enlatado, compatível com todas as idades e níveis mentais. E é falando nisso que chego ao maior problema do filme: o desfecho final.

O diretor Ron Howard e o ator Tom Hanks
O diretor Ron Howard e o ator Tom Hanks

Não vou dizer que fiquei arrasado pelo fato do final ser COMPLETAMENTE diferente do final visto no livro, tanto nos atos em si quanto na mensagem que ele passa. Também não vou dizer que as coisas acontecem num ritmo tão desenfreado que é até difícil de acompanhar. E, com certeza, também não vou dizer que os personagens inventados exclusivamente para a cena final do filme são tão descartáveis que, antes de sair da sala, eu já nem lembrava que eles haviam aparecido.

O que vou dizer, de fato, é que o final é preguiçoso e extremamente previsível. Uma conclusão digna de um filme infantil de aventura dos anos 80, onde sabemos exatamente o que vai acontecer depois de alguns minutos de cena. Tudo que é construído ao longo da trama se converte em uma luta boba e irreal entre bem e mal. A ideia central do livro (e até mesmo do próprio filme, em alguns pontos) fica completamente deturpada. Bertrand Zobrist se transforma em um terrorista clichê. Nada além disso.

Talvez a minha opinião esteja poluída pelo meu amor ao livro. Isso realmente pode ter acontecido e eu não nego. Mas o problema é que, mesmo quando avalio com olhos mais técnicos, voltados para o divertimento apenas, fico com um gosto amargo na boca. O filme não me divertiu como deveria.

E isso, mais do que qualquer outra coisa, é um erro imperdoável.


Mas eu quero saber a sua opinião também. Você concorda com o que eu disse? Deixe sua opinião nos comentários e até a próxima!

Veja o trailer de Inferno:

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