Ainda que eu não seja um grande amante da saga iniciada em Invocação do Mal (2013) e estendida em Annabelle (2014), devo confessar que a série de filmes tem seu valor. James Wan conseguiu revitalizar um gênero que, ainda hoje, sofre acusações dos ditos “entendidos” em cinema, aqueles esnobes que só gostam de obras de quem já morreu.

Mas, se Invocação do Mal conseguiu cumprir muito bem seu papel, Annabelle não foi tão bem assim, deixando a desejar em praticamente todos os aspectos, desde a história morna até a explicação – quase inexistente – da origem da boneca maldita. Pensando nisso, um segundo filme era quase inevitável.

E ele chegou agora, dirigido por David F. Sandberg (Quando as Luzes se Apagam), produzido pelo próprio James Wan e escrito por Gary Dauberman.

A história, que se passa antes do primeiro filme, ocorre no ano de 1957 e acompanha um casal aparentemente normal e sua jovem filha. O homem se chama Samuel Mullins (Anthony LaPaglia) é um artesão. Logo nos primeiros segundos vemos que ele não tinha muita noção de estética e beleza, uma vez que foi o responsável por criar a famigerada boneca que dá título a película. Um acidente acontece e a filha acaba morrendo, o que leva o casal a tomar algumas decisões duvidosas.

Algum tempo depois, o casal decide acolher um grupo de órfãs acompanhadas por uma freira e é nesse ponto que a historia passa a se desenvolver. As protagonistas da trama são duas dessas órfãs, Janice (Talitha Bateman) e Linda (Lulu Wilson). E este é um dos pontos altos do filme, uma vez que a relação entre as garotas é muito bem apresentada. Todo o elenco mirim é ótimo e o adulto também não decepciona.

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Janice, como qualquer outra jovem curiosa, passa a explorar os cômodos da enorme casa dos Mullins e num deles, que deveria estar trancado, encontra a boneca. E conforme a trama aumenta, descobrimos alguns segredos tão bem trancados quanto o brinquedo.

O filme cai em vários clichês do gênero, como o silêncio completo seguido do susto quase previsível, poços sombrios, espantalhos amaldiçoados e tudo mais. Ainda assim, consegue entregar boas cenas dramáticas e causar muita aflição. Uma cena em particular, que envolve um crucifixo, quase me fez vomitar.

A fotografia e a direção de arte, se sombra de duvidas, merecem um destaque especial. A construção da trama a partir de elementos mostrados no ambiente faz muita diferença e sustenta algumas falhas do roteiro. A computação gráfica também é muito boa, embora não seja necessariamente marcante. E em dois momentos vemos rápidas referências a freira de The Nun, um novo spin-off desse mesmo universo que deve chegar no ano que vem.

Annabelle 2: A Criação do Mal não é uma grande revelação. Também não deve entrar para o rol dos melhores filmes de Terror de todos os tempos. Ainda assim, é um filme divertido, que apresenta praticamente tudo o que propõe e que respeita bem as regras que estabelece. Diversão garantida para os fãs da série e também para aqueles perdidos que só querem tomar alguns sustos.

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