Joan Crawford e Norma Shearer protagonizaram a maior briga de Hollywood, defende livro de Illeana Douglas sobre “As Mulheres”

Lançado em 15 de setembro pela Lyons Press, “Jungle Red! The Making of MGM's The Women” reconstitui a produção do clássico de George Cukor, de 1939. Em trecho divulgado pelo The Hollywood Reporter, a autora revisita a rivalidade entre as duas estrelas da MGM.

A briga mais famosa da Hollywood clássica talvez não tenha envolvido Joan Crawford e Bette Davis. Em Jungle Red! The Making of MGM’s The Women, lançado nos Estados Unidos em 15 de setembro pela editora Lyons Press, a atriz e cineasta Illeana Douglas defende que o posto pertence à rivalidade entre Crawford e Norma Shearer, que dividiram a tela em As Mulheres (The Women), dirigido por George Cukor em 1939. Para a autora, a disputa supera até a das irmãs Olivia de Havilland e Joan Fontaine.

O livro reconstitui a produção do clássico da MGM, que reuniu um elenco formado só por mulheres, com Crawford, Shearer, Rosalind Russell, Paulette Goddard e Fontaine. Douglas trata o filme como matriz de produções protagonizadas por mulheres que vieram muito depois, como Sex and the City e The Real Housewives.

Uma rivalidade vendida pelo estúdio

No trecho exclusivo divulgado pelo The Hollywood Reporter, a autora mostra que a MGM não precisou inventar nada para promover o filme. Em março de 1939, antes mesmo de Crawford pisar no set, o chefe de publicidade Howard Strickling aprovou uma capa da revista Look com as duas atrizes se encarando, sob uma manchete sobre 31 rivalidades de Hollywood. As filmagens começaram em 25 de abril daquele ano.

Segundo o livro, a animosidade era real, e as duas sabiam tirar proveito dela. A roteirista Anita Loos resumiu a relação assim:

Norma e Joan jamais poderiam ter sido amigas, porque vinham de mundos diferentes. Norma achava Joan grosseira e insistente, e Joan considerava Norma autoritária e esnobe. Mas as duas sabiam que a tal briga rendia notícia, e por isso a alimentaram.

Shearer foi a primeira estrela confirmada, no papel de Mary Haines. Viúva do produtor Irving Thalberg, ela ainda recebia os melhores papéis do estúdio, o que irritava Crawford. A imprensa chegou a noticiar que Crawford havia sido recusada para viver Crystal, papel anunciado para Lana Turner, então com 18 anos. A atriz topou fazer teste, algo raro para alguém do seu porte, conquistou Cukor e convenceu Louis B. Mayer com um argumento direto: a mulher que rouba o marido de Norma Shearer não pode ser uma qualquer.

A convivência azedou ainda mais depois das filmagens. Crawford faltou ao almoço que Shearer ofereceu à imprensa no encerramento, organizado justamente para exibir a boa relação entre as duas. Shearer, por sua vez, não compareceu à estreia e publicou uma carta aberta afirmando que não queria ter feito o filme. Na abertura de As Mulheres, Cukor associou cada atriz a um animal: Crawford aparece como leopardo, e Shearer, como um filhote de cervo.

Sobre a autora

Nascida em 1961, Illeana Douglas construiu a carreira em filmes como Os Bons Companheiros (Goodfellas) e Cabo do Medo (Cape Fear), ambos de Martin Scorsese, e participou da primeira temporada de A Sete Palmos (Six Feet Under). Jungle Red! foi publicado nos Estados Unidos e ainda não tem edição brasileira anunciada.

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