O Universo Ultimate da Marvel Comics foi encerrado quando era a linha mais lucrativa da editora, e os próprios roteiristas só souberam do fim no meio das revistas que estavam escrevendo. A informação é de Jonathan Hickman, autor que reconstruiu o selo em 2023, em participação no podcast Battle of the Atom divulgada pelo Collider.
Hickman contou que a decisão o pegou de surpresa:
Nunca vi a Marvel matar uma linha que é a mais lucrativa que ela tem naquele momento. Tipo, a Marvel não faz isso.
Segundo o roteirista, o plano original era deixar o selo correr sem prazo definido:
A intenção original era que a linha Ultimate simplesmente continuasse a partir do lançamento, e que ela desse certo ou errado conforme fosse. Eu ia fazer as primeiras vinte e quatro edições e construir uma revista do Homem-Aranha para outra pessoa assumir depois.
De acordo com o Collider, a Marvel avisou as equipes quando as séries já estavam adiantadas, o que obrigou os autores a comprimir arcos planejados para prazo mais longo:
Só descobrimos isso quando estávamos na edição doze ou treze. E de repente você estava tentando encerrar uma revista que não planejava encerrar.
Sobre o selo
Lançado em 2023, o Universo Ultimate partia de um mundo em que os grandes heróis da Marvel nunca tiveram a chance de assumir seus mantos. A interferência era obra do Fabricante (The Maker), versão de Reed Richards da Terra-1610, que manipulou origens e derrotou vilões antes do tempo para montar uma sociedade à sua imagem, com ele e seus aliados no controle. A revista do Homem-Aranha foi o maior resultado comercial da linha, que mesmo assim saiu de circulação depois de cerca de dois anos.
Para Hickman, a conta fechava no papel, ainda que o resultado tenha ficado abaixo do possível. Ele afirmou ao podcast que a escolha “parecia uma decisão lógica na época”, mesmo com o susto que lhe causou.
O que vem depois
No lugar do Universo Ultimate, a editora prepara o Midnight Universe. Phillip Kennedy Johnson e ScieTronc assinam a revista do Homem-Aranha, que transforma a origem do herói em pesadelo de terror corporal e troca o mote do personagem por “com grandes poderes vem algo monstruoso”. Benjamin Percy e Kev Walker ficam com o Quarteto Fantástico, em leitura cósmica do grupo.
Hickman disse que os autores já desenharam como as três histórias vão se cruzar, mas que a Marvel prefere dar tempo a cada título antes de aproximar as pontas:
Temos um plano de como as revistas vão se tocar.
A editora ainda não anunciou quando esse cruzamento acontece.
