O mangá esportivo perdeu um de seus nomes maiores. O desenhista Tetsuya Chiba, responsável pela arte de Ashita no Joe, morreu em 22 de outubro, aos 87 anos, em um hospital de Tóquio. O anúncio foi feito pela Kodansha, editora que atribuiu a morte a uma síndrome mielodisplásica, grupo de distúrbios que afeta a medula óssea. O velório foi reservado à família.
Setenta anos de carreira
Nascido em 1939, Chiba estreou cedo e manteve produção constante por sete décadas. O trabalho que o tornou conhecido começou em 1968, quando Ashita no Joe foi publicado na revista Weekly Shonen Magazine, com roteiro de Asao Takamori e arte dele. A série acompanhou a ascensão de um garoto sem perspectivas até o topo do boxe japonês, seguiu até 1973 e é tratada como uma das histórias mais influentes já feitas sobre o esporte. O alcance da obra no Japão foi tão grande que a morte de um personagem motivou um funeral real, com presença de leitores.
Segundo o ComicBook, Chiba seguia publicando capítulos de Hinemosu Notari Nikki, seu trabalho mais recente, até entrar em pausa em setembro deste ano. A carreira inclui ainda I’m Teppei, Notari Matsutaro e Ashita Tenki ni Naare. Ashita no Joe foi adaptado em série de anime para a televisão e em filmes em live action.
O reconhecimento oficial veio em honrarias raras para a área. Ele recebeu a Ordem da Cultura em 2024, concedida a muito poucos mangakás, além da Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro com Roseta, e o título de Pessoa de Mérito Cultural. A Kodansha mantém há 46 anos um prêmio para autores iniciantes que leva o nome dele.
Em nota sobre a morte do desenhista, a editora afirmou:
Tetsuya Chiba, que nos deixou inúmeras obras-primas ao longo de setenta anos de carreira como artista, tinha amor e confiança sem fim no mangá como meio criativo. O Prêmio Tetsuya Chiba, nosso prêmio para novos talentos, está em atividade há 46 anos desde a criação. Orientados pelas palavras de Chiba-sensei, muitos autores deram os primeiros passos como profissionais e seguem em atividade hoje. A contribuição dele para o mundo do mangá foi insubstituível.
O Prêmio Tetsuya Chiba continua em funcionamento na Kodansha, e nenhuma data de homenagem pública foi informada pela editora.
