A animação quadro a quadro voltou a The Mandalorian and Grogu. O supervisor de animação Hal Hickel, da Industrial Light & Magic, contou no View Conference, em Turim, que a equipe filmou uma sequência inteira em stop-motion no estúdio de Phil Tippett, em Berkeley, para a luta contra dois dróides gigantes que guardam a câmara de um soberano.
Segundo a Variety, que acompanhou a apresentação, Hickel resumiu seu método no filme de Jon Favreau a uma pergunta: o que Phil faria? Tippett é o pioneiro do stop-motion cujo trabalho na trilogia original de Star Wars serviu de modelo para tudo, dos AT-AT ao combate de criaturas animadas à mão.
O animador, que completou 30 anos de ILM, falou assim da volta ao palco de Tippett, de onde a empresa já saiu:
Estar no palco da Tippett, que todos nós sabemos que não existe mais, fazendo stop-motion em um filme de Star Wars provavelmente será para sempre o ponto mais alto da minha carreira. E não digo isso de leve.
Para a batalha de AT-AT que abre o longa, Hickel retomou testes de animação desenvolvidos em Rogue One: Uma História Star Wars, quando a equipe inseriu veículos digitais em imagens da trilogia original para estudar luz, textura e o andamento típico do stop-motion. Os novos AT-AT se movem ainda mais devagar, para reforçar o peso. Um cenário em tamanho real se estendia do pescoço até a cabeça móvel de um deles, e uma troca de tiros entre personagens em dois veículos foi filmada, mas acabou cortada.
O AT-RT, menor, exigiu outra solução. Os animadores estudaram avestruzes e levaram as curvas de movimento digitais para um sistema mecânico de seis eixos que carregava os atores. Nos primeiros testes a estrutura sacudia tanto que Hickel brincou que Grogu não sobreviveria. A instrução de Favreau para a ação de Mando, lembrou o animador, era menos James Bond e mais Jackass, com fugas sempre à beira do desastre.
Sobre o filme
A mudança maior ficou com Rotta, o Hutt, dublado por Jeremy Allen White. Em vez da massa parada de Jabba, o personagem precisava se mover como um lutador e ainda despertar simpatia. A Legacy Effects fez referências físicas em tamanho real, e a ILM criou um sistema digital de músculos, com movimentos inspirados em elefantes-marinhos e lutadores de sumô. Depois das filmagens, Favreau achou que o desenho não parecia suficientemente Hutt nem filho do próprio pai, e a equipe refez rosto e coloração. Rotta é o personagem com mais falas depois de Mando, o que levou a produção a fazê-lo falar em inglês em vez de exigir legendas longas do público infantil.
Outra sequência transforma em criaturas de tamanho real os monstros do xadrez holográfico de 1977. A ILM preservou as silhuetas criadas por Tippett e por Jon Berg e inventou anatomia, movimento e estilo de luta mais realistas, com o diretor de segunda unidade Peter Ramsey trabalhando junto aos dublês. O lado afetivo da história rendeu até uma homenagem a Meu Amigo Totoro, de Hayao Miyazaki, a partir de um desenho que Dave Filoni fez em uma reunião de produção, com Grogu dormindo sobre o peito de Rotta.
O longa é dirigido por Jon Favreau e produzido pela LucasFilm, com distribuição da Disney.
