Artificial, filme de Luca Guadagnino sobre a crise de 2023 na OpenAI, tem première nesta segunda-feira, 5 de outubro, no Festival de Cinema de Nova York. O longa traz Andrew Garfield como Sam Altman e chega aos cinemas americanos em 25 de dezembro de 2026 pela Neon, depois de a Amazon desistir de lançar o filme que ela mesma financiou.
Segundo reportagem do The Hollywood Reporter publicada nesta segunda-feira, a Neon foi o primeiro estúdio a assistir ao filme, antes de Netflix, Searchlight e A24. As reações foram em boa parte positivas, mas todas as empresas desistiram, com exceção da Neon e da Mubi. O acordo final foi incomum: a Neon não pagou nada adiantado e assumiu um compromisso de US$ 15 milhões em marketing. O orçamento de produção foi de US$ 40 milhões.
Guadagnino atribuiu parte das recusas ao conflito de interesses entre os estúdios e o setor de tecnologia. A Amazon havia anunciado um investimento previsto de US$ 50 bilhões na OpenAI meses antes de colocar Artificial à venda.
O conceito de conflito de interesses é um elefante muito importante na sala aqui. Quando se entende a natureza do negócio de cada empresa, apesar do amor delas pelo filme e além dele, percebe-se que algumas decisões não são as que elas tomariam no vácuo. O exemplo famoso de Orson Welles: um filme como “Cidadão Kane” provavelmente não poderia ser feito no clima de hoje.
Garfield disse ao The Hollywood Reporter que não conhece as conversas internas das empresas que recusaram o projeto, mas endossou o argumento do diretor:
A luta está em curso para garantir que tenhamos permissão de fazer coisas livremente. A centralização de poder que estamos vendo acontecer pode ter um efeito muito, muito inibidor sobre como a arte tem permissão de viver.
Sobre o filme
O roteiro é de Simon Rich, veterano do Saturday Night Live, e o projeto foi desenvolvido na Amazon antes da chegada de Guadagnino. No elenco, Yura Borisov vive Ilya Sutskever, Monica Barbaro interpreta a diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati, e Ike Barinholtz aparece como Elon Musk, ao lado de Cooper Hoffman. A fotografia é de Malik Hassan Sayeed, e a produção foi rodada em película de 35 milímetros.
A produtora Jennifer Fox, indicada ao Oscar por Michael Clayton, afirmou que o filme passou por assessoria jurídica externa e que tudo o que está na tela pode ser comprovado. Guadagnino disse que nenhuma inteligência artificial foi usada na realização, prática que ele mantém em todos os seus trabalhos, entre eles Me Chame pelo Seu Nome, Suspiria e Rivais (Challengers). A estreia brasileira ainda não foi anunciada.
