Naomi Watts recebeu neste sábado (19) o Prêmio Donostia, principal honraria do Festival de San Sebastián, e dedicou o troféu a David Lynch, que a dirigiu em Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive), de 2001. A cerimônia aconteceu no Kursaal, antes da exibição de The Housewife, novo longa estrelado pela atriz britânica na 74ª edição do evento.
Quem apresentou a homenagem foi o cineasta espanhol J.A. Bayona, diretor de O Impossível (The Impossible), de 2012, trabalho que rendeu a Watts sua segunda indicação ao Oscar. A primeira veio por 21 Gramas (21 Grams), de 2003, dirigido por Alejandro González Iñárritu. Segundo o The Hollywood Reporter, Bayona agradeceu à atriz por ter confiado num “jovem diretor morto de medo” e disse que ainda busca, com cada novo ator, algo que aprendeu com ela.

Emocionada, Watts relembrou as filmagens na Espanha e as 30 tomadas submersas num tanque de água. Ela também citou Tom Holland, que estreou em filmes live-action em O Impossível, aos 15 anos: segundo a atriz, o colega chamou o tanque de melhor parque aquático que já tinha visitado, enquanto ela guardou a experiência como pura dor.
A parte mais pessoal do discurso foi dedicada a Lynch, morto em janeiro de 2025. Watts contou que passou dez anos colecionando recusas em Hollywood até ser escalada pelo diretor:
Ele me viu, e todas as feridas deixadas por aquela rejeição passaram a aparecer como crescimento. Ele me deu o papel com que você nem poderia sonhar. Ele mudou minha vida. Ele me deu outra compreensão do que significava atuar, confiar no instinto, abraçar a incerteza e não ter medo do estranho ou do inexplicável. Mais do que isso, ele acreditou em algo em mim antes que eu acreditasse plenamente em mim mesma, e esse é um presente que a gente nunca esquece. Por isso, esta noite, sinto que este prêmio tem muito a ver com o David.
Aos 57 anos, a atriz também comentou o espaço reservado a mulheres mais velhas no cinema. Ela lembrou que, aos 31, quando lançava Cidade dos Sonhos, ouviu que sua carreira estaria acabada aos 40, e disse ser grata por participar da mudança dessa narrativa:
Precisamos nos ver. As mulheres também são consumidoras de filmes e de histórias. Queremos nos ver refletidas na tela.
Ao encerrar o discurso, com o troféu erguido, Watts se dirigiu ao cineasta: “E David Lynch, sinto sua falta”.
Sobre o filme
The Housewife marca a estreia em longas do diretor canadense Ben Shirinian e foi a sessão escolhida pelo festival para acompanhar a entrega do prêmio. Baseado em fatos reais, o drama se passa em Nova York, em 1964, e acompanha um jovem jornalista que descobre que um suposto ex-oficial nazista vive escondido no bairro do Queens. A investigação muda de rumo quando ele fica amigo da esposa do principal suspeito. O elenco inclui Tye Sheridan, Luke Evans, Michael Imperioli e Lena Olin.
Nesta edição, o Prêmio Donostia também foi entregue ao cineasta Werner Herzog, na cerimônia de abertura do festival. The Housewife ainda não tem data de estreia anunciada no Brasil.
