Tom Cruise levou para a cadeira de maquiagem a mesma obsessão por eficiência que costuma aplicar às cenas de ação. Em participação no podcast New Heights, apresentado pelos irmãos Travis Kelce e Jason Kelce, o astro contou que a transformação para viver o protagonista de Digger, nova comédia de Alejandro González Iñárritu, levava seis horas no primeiro dia e chegou a menos de uma hora ao longo das filmagens.
A conta, segundo ele, não fechava. As diárias de gravação duravam 12 horas, e o ator queria garantir ao menos seis horas de sono por noite. Com seis horas de próteses antes de cada dia de trabalho, sobrava pouco tempo para descansar. A saída foi transformar o processo num treino: Cruise levou um quadro-negro para o set e pôs um integrante da equipe para marcar, no cronômetro, o tempo de aplicação de cada peça.
Na entrevista, repercutida pelo The Hollywood Reporter, o ator descreveu a reação dos maquiadores ao desafio:
Eu tinha um cara lá com um cronômetro e disse: “Estão vendo esse tempo, seis horas? Até terminarmos, vamos baixar isso para menos de uma hora”. Eles responderam: “Não vou fazer isso, nunca vai acontecer”. E eu falei: “Primeiro, se vocês disserem que não conseguem, nunca vão chegar lá. Então podemos concordar que talvez dê para diminuir um pouco?”
Cada peça passou a ser cronometrada e ensaiada, e a equipe ganhou velocidade sem precisar correr, de acordo com o ator. Cruise disse ainda que a experiência reflete a forma como encara o próprio trabalho:
Gosto de entrar num sistema, estudá-lo e tentar descobrir como posso fazer melhor, de forma mais eficiente. Nos filmes que faço, estou sempre me perguntando como posso fazer melhor e como posso me preparar melhor.
A Warner Bros. Pictures divulgou no Brasil o trailer final do longa, que mostra o ator irreconhecível sob as próteses:
Sobre o filme
No longa, Cruise interpreta Digger Rockwell, um magnata do petróleo excêntrico, grisalho e mais corpulento que o ator, que provoca um desastre ambiental e recebe do presidente dos Estados Unidos, vivido por John Goodman, a ordem de reparar o estrago. É a primeira caracterização desse tipo na carreira do astro desde Trovão Tropical (Tropic Thunder), comédia de 2008 em que ele viveu o executivo de estúdio Les Grossman.
O elenco reúne ainda Jesse Plemons, Sandra Hüller, Riz Ahmed, Michael Stuhlbarg, Emma D’Arcy e Robert John Burke. Iñárritu assina o roteiro com Sabina Berman, Alexander Dinelaris e Nicolás Giacobone, e a fotografia é de Emmanuel Lubezki, parceiro habitual do diretor. O cineasta mexicano conta que a ideia do personagem surgiu depois de O Regresso (The Revenant), de 2015, e levou uma década para virar filme. Digger é seu primeiro longa desde Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades (Bardo, False Chronicle of a Handful of Truths), de 2022, e foi produzido pela Warner em parceria com a Legendary.
A estreia mundial acontece em Londres, em 22 de setembro, mesma data em que começa a pré-venda de ingressos no Brasil. Digger chega aos cinemas brasileiros em 1º de outubro, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
