O cineasta Guillermo del Toro sustenta desde a estreia, em 2006, que o final de O Labirinto do Fauno (Pan’s Labyrinth) mostra um acontecimento real dentro da história: a jovem Ofelia chegou de fato ao reino subterrâneo que a esperava. O tema foi retomado pelo Syfy Wire em texto de Josh Weiss, publicado em 26 de agosto, que reúne as declarações do diretor sobre a ambiguidade do desfecho.
A dúvida acompanha o filme desde então. Parte do público entende que a fantasia foi criada pela menina para escapar da realidade violenta que a cerca, enquanto outra parte aceita os episódios sobrenaturais como reais. Del Toro compara a divisão a um teste de Rorschach, em que cada espectador projeta na história aquilo que já traz consigo:
O filme é como um teste de Rorschach: se você assiste sem acreditar, vai entender que “foi tudo na cabeça dela”. Se assiste como alguém que acredita, vai ver claramente qual é a minha posição, que é a de que aquilo é real.

O diretor também aponta pistas dentro da própria narrativa. Em entrevista de 2006 ao ScreenAnarchy, ele indicou quais considera as mais importantes:
As pistas mais importantes são a flor no final e o fato de que não existe outro caminho para ir do sótão até o escritório do capitão a não ser pela porta de giz.
O Syfy Wire cita ainda o momento em que Ofelia desaparece diante do padrasto, o capitão, quando as paredes se abrem para ela. Na mesma conversa de 2006, Del Toro falou sobre o significado da flor que brota numa árvore seca e sobre o que, na visão dele, torna a personagem imortal:
Se você morre e o seu legado é uma pequena flor desabrochando numa árvore seca, para mim esse legado já é suficiente. E é um legado mágico. […] Ela escolhe colocar a própria vida em risco em vez da vida da criança. Isso é um teste de verdade. É o que a torna imortal.

Sobre a cena final, o cineasta afirma que concebeu a imagem como uma trindade, com três tronos reservados à família da protagonista:
Eu queria que fosse como a trindade no final, com três tronos. […] É a família do jeito que ela gostaria que fosse: sem capitão, sem guerra.
A atriz Ivana Baquero, que interpretou Ofelia, também mudou de leitura ao longo dos anos. Segundo o Syfy Wire, ela via a fantasia como uma forma de escapismo e passou a acreditar que aquela era a realidade da personagem, e que a menina estava lutando pelo mundo.
Sobre o filme
Escrito e dirigido por Del Toro, o longa de 2006 acompanha Ofelia, que encontra o Fauno, vivido por Doug Jones, e recebe a missão de provar que é a princesa perdida de um reino subterrâneo. A produção foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira e completa 20 anos em 2026.

