A Netflix usou Inteligência Artificial em alguma etapa de produção de cerca de 300 de seus títulos. O número foi apresentado por Lee Sung-gyun, diretor sênior de produção da plataforma para a Ásia-Pacífico, em painel do Festival Internacional de Cinema de Busan, na Coreia do Sul, segundo a Variety.
No mesmo painel, o diretor Kang Yoon-sung, de The Outlaws, afirmou que fluxos de trabalho apoiados em inteligência artificial podem reduzir de 30% a 40% do orçamento de produção de um longa-metragem. Ele ponderou que o toque humano continua absolutamente essencial no processo.

O que a plataforma diz sobre o uso
A empresa mantém um estúdio próprio de Efeitos Visuais, a Eyeline, e levou a Busan o responsável global pela área de GenFX, James Rustad. De acordo com a Variety, ele descreveu a inteligência artificial generativa como ferramenta que amplia o número de opções possíveis para um plano de efeitos, enquanto a escolha de qual dessas opções serve à narrativa permanece com os artistas.
Os dois recortes apresentados no festival mostram usos distintos da tecnologia dentro de uma mesma empresa. De um lado, o argumento de economia, sustentado por um realizador que trabalha com produções comerciais de grande público na Coreia do Sul. De outro, a tentativa da plataforma de delimitar o que a ferramenta decide e o que segue sob responsabilidade humana, questão central nas negociações recentes entre estúdios e sindicatos de criadores.
A contagem de 300 títulos é a primeira referência numérica desse porte apresentada publicamente pela plataforma sobre a adoção da tecnologia em seu catálogo. O painel não detalhou quais produções entram na conta, em que etapas a ferramenta foi aplicada, nem se o uso aparece na imagem final ou apenas em processos internos, como pré-visualização, dublagem e pós-produção.
O assunto interessa diretamente ao mercado brasileiro, já que a Netflix é a plataforma de streaming com maior base de assinantes no país e mantém produções originais nacionais em cinema e televisão. A empresa não divulgou política pública específica sobre o uso de inteligência artificial em seus títulos produzidos no Brasil.
