A Academia quer um Oscar mais global. O CEO Bill Kramer usou um painel no Festival de Tóquio, nesta quarta-feira, para defender a internacionalização da premiação e detalhar as frentes já em andamento, da composição do quadro de membros ao novo caminho de inscrição pelos festivais.
Segundo o The Hollywood Reporter, Kramer lembrou que há dez anos apenas 5% dos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas viviam fora dos Estados Unidos, proporção que hoje chega a 25%. O Japão tem cerca de 70 membros, número que ele espera ver crescer. Em painel mediado pelo diretor do festival, Takeo Hisamatsu, o executivo disse:
A Academia está se tornando cada vez mais global em todos os seus programas, e parte disso aparece no aumento do número de membros que moram fora dos Estados Unidos.
Para Kramer, o efeito já se vê nas indicações. Na última cerimônia, afirmou, todas as categorias tiveram representação internacional, e não apenas a de filme internacional. Ele citou a vitória de Parasita, de Bong Joon Ho, como ponto de virada:
Todo mundo lembra do momento em que Parasita venceu Melhor Filme. Aquilo foi uma espécie de virada, uma mudança no que passamos a considerar possível para o cinema global no Oscar, e isso continua.
Novo caminho pelos festivais
A partir da 99ª edição do Oscar, filmes falados em outras línguas poderão concorrer a Melhor Filme Internacional sem depender da seleção oficial do país. Basta vencer um prêmio designado em um de seis festivais: a Palma de Ouro no Festival de Cannes, o Leão de Ouro no Festival de Veneza, o Urso de Ouro no Festival de Berlim, o prêmio de melhor filme em Busan, o Grande Prêmio do Júri de Cinema Mundial no Festival de Sundance e o prêmio Platform no Festival de Toronto. O sistema antigo, em que comitês nacionais e regionais escolhem um único representante por país, continua valendo em paralelo.
A presença de Busan na lista e a ausência de Tóquio renderam duas perguntas da plateia japonesa durante a sessão de debates. Kramer não cravou uma data, mas indicou que a lista deve crescer, ao dizer que a Academia busca ampliar o universo de festivais capazes de qualificar um filme para a categoria.
O acordo da premiação com o YouTube, recebido com reservas no mercado americano, foi apresentado pelo executivo como parte da mesma estratégia. A plataforma tem os direitos globais exclusivos do Oscar de 2029 a 2033, com transmissão ao vivo e gratuita em mais de trinta idiomas, depois da última cerimônia exibida pela ABC, em 2028. Kramer calcula um alcance potencial de 2,5 bilhões de pessoas.
A Academia levou ao Japão uma delegação de peso, com a presidente Lynette Howell Taylor e Meredith Shea, responsável pela área de membros e relações com a indústria. As novas regras de qualificação valem a partir da 99ª edição do Oscar.
