OSCAR 2021: confira nossa análise sobre todos os filmes da categoria “Melhor Filme”

O Oscar 2021 acontece no dia 25 de abril e essa edição é diferente por vários motivos! O mais óbvio é a pandemia de Covid-19, que vem mudando os planos de todo mundo desde o começo de 2020. Isso também acabou impulsionando os serviços de streaming, que terão um destaque ainda maior nesta edição.

Só a Netflix recebeu 35 indicações, divididas em filmes como Mank (10 indicações), Os 7 de Chicago (6 indicações), A Voz Suprema do Blues (5 indicações) e o surpreendente O Tigre Branco (1 indicação).

Ao mesmo tempo, essa falta de grandes estúdios acabou incentivando produções independentes e transformando a edição de 2021 do Oscar em uma das mais diversas desde a sua criação, em 1929.

Só pra você ter uma ideia, três dos oito longas indicados na categoria Melhor Filme são protagonizados por atores não brancos e outros dois deles são protagonizados por mulheres. Pode parecer pouco, mas para uma instituição que já foi alvo de muitas críticas, como a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, isso é muita coisa.

Nesse artigo, vamos conversar justamente sobre os filmes indicados na categoria de Melhor Filme. Quem é o favorito? Quem pode surpreender? Todos mereceram a indicação? Como eu já disse, esse foi o ano da Netflix no Oscar. E é justamente com um filme da Netflix que nós começamos essa lista.

Os 7 de Chicago

“Os 7 de Chicago” conta a história de um evento que deveria ser um protesto pacífico, mas que acabou se transformando em um confronto violento entre a polícia e manifestantes contrários à Guerra do Vietnã. Depois disso, oito homens acabaram presos e protagonizaram um dos julgamentos mais famosos da história.

Eu não confundi a quantidade… São oito mesmo, mas você vai ter que assistir o filme para entender, porque eu não vou dar spoiler aqui.

Estrelado por grandes nomes, como Eddie Redmayne e Sacha Baron Cohen, o filme consegue ser divertido e emocionante enquanto aborda racismo, violência policial e polarização de forma magistral.

O destaque vai para o trabalho de Aaron Sorkin, um dos maiores roteiristas de Hollywood que estreia como diretor. Posição essa que exerceu com maestria. Desde que assisti, este se tornou meu favorito da lista e as coisas só mudaram recentemente.

Mank

O segundo filme da Netflix na categoria é “Mank”. O longa conta a tumultuosa história de Herman J. Mankiewicz, roteirista de “Cidadão Kane”, e sua luta contra o diretor Orson Welles pelo crédito do texto de um dos filmes mais importantes da história.

Depois de viver Winston Churchill em “O Destino de Uma Nação”, Gary Oldman parece pronto para qualquer papel biográfico. Isso se torna claro em sua visão de Herman J. Mankiewicz. Com uma atuação forte, hilária e sensível, Oldman traz a tona todas as peculiaridades de Mank.

Filmado em preto e branco e seguindo a estética dos filmes da primeira metade do século XX, “Mank” tem muitos méritos e está a altura de seus concorrentes.

O Som do Silêncio

Fechando a tríade de filmes produzidos por serviços de streamings, temos “O Som do Silêncio”, lançamento da Amazon Prime Video. O filme acompanha a mudança na vida de um jovem baterista que descobre que está perdendo a audição. Com isso, suas duas grandes paixões parecem cada vez mais distantes: a música e a sua namorada, integrante da mesma banda que ele faz parte.

Esse filme me emocionou profundamente, desde que vi o primeiro trailer. Como músico, entendo cada uma das dificuldades que Ruben, personagem de Riz Ahmed, passou na busca pelo reconhecimento. É por isso que sua dor pela perda gradativa da audição doeu em mim também.

Esta é uma obra para ser assistida e sentida. Transformador. Definitivamente, vou comemorar, se for o grande vencedor.

Nomadland

“Nomadland” conta um história simples e poderosa. Uma mulher no começo da terceira idade decide abandonar tudo e se transformar em uma nômade moderna, depois de perder o marido e ver sua cidade se transformar em um local fantasma com o fechamento de uma mina. O filme foi dirigido por Chloé Zhao, uma diretora chinesa que contraiu seu lugar a duras penas na industria norte-americana.

Quando vemos Fern, a personagem de Frances McDomand, indo de estado em estado com sua van, fazendo pequenos trabalhos para sobreviver e conhecendo gente que vive como ela, nos sentimos compelidos a segui-la.

LEIA +  BRZRKR: HQ escrita por Keanu Reeves vai ganhar adaptação cinematográfica e anime

Dentre outra coisas, o filme fala sobre o famoso Sonho Americano, mostrando como ele pode (e deve) ser diferente de pessoa para pessoa. É o filme favorito na premiação, ainda mais depois de conquistar o prêmio principal tanto no Globo de Ouro quanto no Bafta deste ano.

Judas e o Messias Negro

Mesmo não tendo sido tão comentado quanto seus concorrentes, “Judas e o Messias Negro” conquistou o coração de quem o assistiu. O longa conta a história de ascensão e queda de Fred Hampton, um ativista dos direitos dos negros que se transformou no líder do partido dos Panteras Negras.

Assim como em “Os 7 de Chicago”, o filme remonta uma parte da história dos EUA que parece esquecida por algumas pessoas. Principalmente a atuação do FBI em parceria com o jovem William O’Neal , que se infiltra nos Panteras Negras e causando grandes tragédias.

Um filme importante no tempo em que vivemos, onde movimentos como #OscarSoWhite e Black Lives Matter ainda se fazem necessários.

Minari

Continuando a tradição de “Parasita”, temos Minari, um filme produzido nos EUA, mas que conta a história de uma família coreana. Dirigido por Lee Isaac Chung, o filme carrega um tom quase biográfico, segundo o próprio realizador, que também escreveu o roteiro.

Na trama, acompanhamos a vida cotidiana de uma família coreano que se muda para uma fazenda no Arkansas em busca de seu próprio sonho americano. Em meio aos desafios dessa nova vida, eles descobrem o que realmente faz um lar.

Este é o que eu menos gosto da lista, mas isso nem de longe quer dizer que o filme é ruim. É uma história simples e despretenciosa, mas que consegue ser sensível e tocante na medida. Ainda assim, não sei se é capaz de competir com as outras.

Bela Vingança

Agora temos um filme difícil. “Bela Vingança”, como o nome deixa claro, conta uma história sobre vingança, mas isso não é tão clichê quanto parece. Na produção, acompanhamos a vida de Cassandra, uma mulher que sai algumas noites disposta a dar uma lição em homens que não perdem a oportunidade de tentar se aproveitar de mulheres bêbadas e inconscientes. Essa premissa, sozinha, já gera muitas discussões, mas vou deixar isso para outro momento.

Preciso destacar também que, apesar de ser claramente um filme feminista, o longa não se prende apenas a isso. Ao mesmo tempo, não tenta vilanizar todos os homens. Enquanto evoca uma discussão totalmente necessária, mostra que Cassandra estava disposta a viver uma nova vida e superar suas dores, através de um novo romance. Se isso dá certo ou não, você só saberá assistindo ao filme.

Infelizmente, não acredito que o longa tenha chance de vencer o grande prêmio. Posso estar completamente enganado, mas acho que a Academia ainda precisa evoluir muito antes de premiar uma produção com uma temática tão específica.

Meu Pai

Deixei o melhor por último. “Meu Pai”, definitivamente, é o meu grande favorito desta categoria. O filme acompanha Anthony, um idoso octagenário que mora sozinho em seu apartamento em Londres, recusando todos os cuidadores que sua filha, Anne, tenta impor a ele. Porém, um dia, Anne entra num novo relacionamento e se muda para Paris, não podendo mais passar todos os dias com ele.

Todos os conflitos gerados por essas decisões são tão marcantes que transformaram a produção em uma das mais impactantes da premiação e extraíram de Anthony Hopkins uma das melhores atuações de sua carreira. Talvez, a melhor.

Tanto que Hopkins levou o prêmio de melhor ator no Bafta, superando Chadwick Boseman, o grande favorito da noite. Não vou me assustar se o mesmo acontecer no Oscar e, devo confessar, até gostaria que isso acontecesse, por mais que eu ame e admire Chadwick. O fato é Hopkins está imbatível neste papel. Insuperável. O mesmo destaque vale para Olivia Colman, que nos entrega uma personagem real, próxima, enfrentando uma batalha impossível de ser vencida.